99% vs 1%

emerging

Há um bom tempo que tenho tentado escrever para o blog. Pra não deixá-lo mofando como muitos outros. Mas a coisa aqui anda devagar, então o negócio é tentar respeitar o ciclo e não se descabelar.

Agora que finalmente consegui mexer os dedinhos o mínimo pra desvirginar a página em branco, resolvi escrever um pouco sobre esse tipo de hiato. Sobre ócio criativo, bloqueios internos, forças maiores que tua própria vontade, estagnação.

Afinal, ia achar muito estranho publicar um post de assunto aleatório depois de meses de sumiço, como se nada tivesse acontecido.

Não lembro se mencionei aqui no primeiro post, mas um dos objetivos desse blog é justamente de me servir de estímulo, de criar algum tipo de responsabilidade – mesmo que não “séria” – pra me comprometer em me expressar. Em trazer pro mundo um pouco das muitas vozes que tagarelam tanto aqui dentro, mas nunca chegam à boca ou às mãos. Em me fazer oferecer às pessoas um pouquinho, que seja, da minha visão de mundo, das minhas vivências e perspectivas.

Afinal, num mundo tão plural e conectado, sempre bom topar com pessoas que vivem algo parecido – ou que pensam de forma completamente diferente. 😉

Mas tá foda.

Tá foda arranjar energia e ânimo pra participar do mundo.

Tá foda de manter acesa a chama da esperança na realidade exterior.

Tá muito foda querer oferecer algo pras pessoas.

Tá foda tentar contribuir com algo bom com tanta pedra roçando nas mãos dos outros.

E porquê tá tão foda?

Por que eu sou pessimista.

Porquê eu olho pra humanidade, pras pessoas em geral, pras pessoas do meu país e dos outros países, pras pessoas do passado… e só vejo padrões e mais padrões negativos sendo continuamente alimentados num ciiiiiiclo sem fiiiiiimmmmm – não, péra. Assim quebra todo o clima. :p

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caso não tenham pego a referência.

Tá, devo admitir que não sou tão pessimista assim. Se eu realmente fosse, acho que já teria me matado – porque, puta que o pariu, tá foda! Sou 99% pessimista com aquele 1% ARCOIRO nyan-cat like que consegue sempre ver o lado cool das coisas e que alimenta minha esperança com a Vida o Universo e Tudo o Mais.

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sou assim por dentro, mas por fora to mais pro grumpy cat  download

Pobrêma é: minha esperança atual se resume a um primitivo roedor fossorial que se alimenta à base de chocolate e batata-frita. yay

Acho que ele tá descontando na comida as frustrações de não-realização profissional.

~ not amused ~

Mas bem. Por um lado, vejo como positivo esse período que estamos passando – em nível nacional, mundial, pessoal, etc – que, num viés amplo, é um período de transição entre uma era decadente e outro que está por surgir. Um período em que todas as frustrações do mundo, todas as vozes caladas da humanidade, todos os pontos-de-vista de cada um emergem como lava explodindo de um vulcão.

Estamos todos passando por questionamentos. Transformações. Cutucos nas nossas percepções. Confrontamentos dos nossos modos de viver.

Por um lado, isso é bom. Pois é assim que se transforma. É assim que podemos gerar uma mudança.

Pobrêma é: meu ladinho pessimista olha pra tudo isso com receio. Afinal, uma mudança não necessariamente é pra melhor. E temos milênios de experiência nisso. E toda essa história só mostrou que nós somos péssimos em nos transformar pra melhor.

Mudamos sempre pro mesmo. Apenas mudamos a maquiagem.

E nos tempos de hoje, trocar a maquiagem é minha perspectiva otimista huehuehuehue.

A pessimista é de que as forças retrógradas que estão emergindo prevaleçam e nos levem de volta pra algo, talvez, pior que a Idade das Trevas.

E essa vibe de instabilidades – sejam elas políticas, emocionais, econômicas, conscienciais – deixa todos muito inseguros, temerosos e sensíveis.

Cada um de nós está vivendo com duas pedras nas mãos: uma pra atacar e outra pra defender. E os que não têm pedra – por não quererem ter – se vêem como os mais vulneráveis, pois estão no meio do tiroteio.

Me encaixo na segunda opção. Só que – no momento – não estou em campo aberto exposta ao confronto. Estou enfiada numa caverninha, observando. E o que eu vejo me faz ter vontade de me enfiar cada vez mais dentro da terra.

Pobrêma é: eu sei que isso não vai ajudar. Não vai mudar a situação externa. Ou interna.

Não vai fazer os problemas sumirem, os sentimentos esvanecerem, mas pessoas pararem de lutar. E vou acabar definhando.

Quê que eu tenho que fazer?

Sair da porra da caverna.

(não, não é a do Platão :p )

Pobrêma é: como fazer isso sendo que não tenho forças pra enfrentar um campo de batalha?

Ou melhor: sendo que não tenho ânimo pra isso?

Acredito que tenho energia pra enfrentar umas parada aí. Só que eu não to afim de fazer isso. O mundo já tá cheio demais de conflitos – sejam externos, bélicos, verbais, abstratos. Não quero ter que apelar pra isso.

Até porque tem muita gente já tentando. E eu não acho que vai resolver.

Meus 99% pensam que a solução é um novo asteroide maciço, ou um lança-chamas. Pragas e tragédias climáticas contam também. Serve até alienígenas.

Os 1% dizem que a solução é interna: precisamos de uma profunda e complexa transformação individual e coletiva. Precisamos de mais empatia. De mais consciência coletiva, mundial e ambiental.

Qual vocês acham que rola? :p

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Sobre Siluriana

Sou um de muitos alter-egos, procurando alguma organização interna. :)
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