Mafalda & o Karma da Humanidade

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Como diabos o meu cérebro gerou um raciocínio que linkou Mafalda e discussão sobre karma, é um grande mistério. Na verdade não. HUE

Primeiro: quem ou o quê é uma Mafalda? :p

Pra quem não conhece, “Mafalda” é uma personagem de tirinhas, que levam seu nome, criada pelo cartunista argentino Quino nos anos 60. Minha mãe adorava, e há uns bons anos comprou a edição completa “Toda Mafalda”, que li tantas vezes que cheguei a decorar as tiras.

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Fiquei um bom tempo sem ler, e esses tempos resolvi matar a saudade. E continuei me fascinando pelo humor peculiar e único de Quino, a personalidade e representação de cada personagem, o crescimento destes ao longo dos anos.

Também senti a básica deprê e frustração em perceber como o mundo e as críticas políticas de décadas atrás continuam tão atuais. Chega a ser assustador. Perceber que as únicas mudanças foram relacionadas a contextos históricos e evolução tecnológica. Como seres humanos, não mudamos nada.

1964 -> 2016. São 52 anos, desde o nascimento de Mafalda até hoje. CINQUENTA E DOIS FUCKING ANOS. E não vi evolução social ALGUMA. Acho até que vi um declínio. (Claro, considerando os aspectos que aparecem no livro)

As tiras de Quino possuem uma razoável variedade nos assuntos, no que concerne a Mafalda. Há várias cujo humor é super leve, doce, com a visão infantil de crianças vivendo seu crescimento, conhecendo o mundo e lidando com seus pequenos problemas.

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Outras possuem uma camada crítica em relação ao comportamento do ser humano e seus estereótipos, bastante bem distribuídos entre os personagens. Por exemplo: Mafalda é questionadora e humanista; Filipe é sonhador e de bom caráter; Manolito é o típico capitalista workaholic; Susanita é a clássica mulher fútil; Miguelito é ingênuo e egocêntrico; Liberdade é idealista.

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Enfim, os demais personagens possuem personalidades claramente distintas, ao mesmo tempo que Quino consegue ilustrar seus comportamentos de maneira extremamente natural.

Aí chegamos na camada política, que é o pilar central do humor de Quino. Ao longo das tirinhas, topamos com uma série de questionamentos e críticas com relação à política do país, do mundo, e mesmo com relação à humanidade como um todo.

Na época, o contexto principal era a guerra no Vietnã. Troque pelos conflitos na Síria, Palestina, Afeganistão e região, e verá que a crítica cabe perfeitamente no cenário atual.

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“Mas… mas… kedê karma nessa porra toda?”

EXPLICO

Então, o que ocorreu foi que eu estava confabulando esta postagem pra falar sobre Mafalda e suas críticas políticas – porque, né, com o atual contexto brasileiro tá foda pensar em outra coisa pra escrever – e o raciocínio foi a se desenrolar, passou pelos questionamentos mundiais dela, pelos estereótipos de comportamento humano… e pimba!

Nada mudou no comportamento humano de lá pra cá.

E foi aí que percebi a camada kármica representada nessa minha “epifania”.

Antes de mais nada, devo abrir um parêntese pra explicar um pouco sobre karma. Isso porque a maioria das pessoas são sabe o que é, entendeu errado, aprendeu só o superficial ou não compreende bem.

“Karma” é um conceito-chave em diversas filosofias orientais, como o Hinduísmo e Budismo por exemplo. A palavra geralmente é traduzida como “ação”, e frequentemente explicado como o “princípio da ação-e-reação”. Essa explicação não é necessariamente errada, porém, ela é deveras superficial e simplificada, a ponto de perder a profundidade e real significado.

Karma é algo difícil de entender, quanto mais de explicar, pois é algo que se manifesta em níveis de consciência diferentes do nosso cotidiano. A maneira mais simples que eu, em específico, encontrei pra explicar esse conceito sem perder tanto o seu simbolismo foi a seguinte: karma são padrões de comportamentos. São como vícios, recaídas, repetições, ciclos viciosos nas nossas vidas – e por “vidas”, temos que entender tanto nossa vida atual individual, quanto vidas passadas, futuras, paralelas, e vidas em escalas maiores, como família, país ou mesmo a humanidade como um todo.

Mas voltando ao assunto – Mafalda e a humanidade – , eu comentei que percebi que o mundo não mudou quase nada de lá pra cá. Ou seja, estamos vivendo um ciclo vicioso. A humanidade recai em vícios como a ignorância, o egoísmo, o ódio – o que traz as consequências que estamos vivendo hoje, e que foram vividas praticamente da mesma forma na época de Quino. E em outras épocas também. Again and again.

Os nossos comportamentos atuais são nosso karma. Enquanto não mudarmos nossa maneira de agir, continuaremos mergulhados nele, e vivenciando todo o sofrimento que é estar preso a isso.

Mas então… comofas///

Aí entra outro conceito fodidamente complexo: dharma.

Mesma coisa: conceito das filosofias orientais, complexo, com explicações supérfluas por aí. Na tentativa de explicar sem perder muito o peso, aí vai: dharma seria como o nosso “caminho espiritual” (que não precisa ser necessariamente “espiritual”, tu pode viver a tua vidinha sendo ateu, por exemplo, e estar de acordo com teu próprio dharma :p ).

Ou seja, enquanto o karma é um ciclo vicioso, o dharma é o caminho que avança. Mas avança pra onde? Pra Iluminação / Libertação / Nirvana / Kaivalyam / Moksha / Etc., cada filosofia dá um nome distinto. É fluindo no dharma que nos libertamos do karma.

🙂

Assim, tanto nós, como indivíduos, pessoinhas egóicas, quanto nós, como grupo, coletivo, humanidade, temos muito karma a ser trabalhado ainda. Mas só conseguiremos nos desvencilhar dele quando nos voltarmos pro nosso verdadeiro caminho, nosso dharma, pra enfim crescer e amadurecer e nos libertar dos sofrimentos desse mundinho tão selvagem.

Porém, considerando 2016, vejo que ainda temos muito lodo a percorrer…

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Om Namastê.

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Sobre Siluriana

Sou um de muitos alter-egos, procurando alguma organização interna. :)
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2 respostas para Mafalda & o Karma da Humanidade

  1. AntimidiaBlog disse:

    A Mafalda é realmente demais……..uma prova definitiva do poder social dos quadrinhos…………

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    • Siluriana disse:

      Ouié! E sempre achei incrível o humor do Quino. Eu não tinha quase nenhuma noção sobre política quando li a primeira vez, e ainda assim conseguia captar a crítica ao ser humano. 🙂

      Curtido por 1 pessoa

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