Happy Fucking New Year

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Wolfgang, especial de fim de ano Sense8

Não, a intenção não é felicitar o Ano Novo. Porque não há nada de Novo e muito menos de Feliz.

Claro, não dá pra negar que existe uma certa atmosfera de renovação – ou de potencial de reinício. Existe uma camada arquetípica aqui, que é a mudança de um ciclo, a promessa de novas energias, novas oportunidades. Nos sentimos mais aptos, capazes e confiantes em investir nossas refrescadas energias nos nossos sonhos, ambições, vontades, desejos.

Mesmo eu – a guria do Mapa Astral cheio de terra, realista com forte tendência ao pessimismo – senti a expectativa de terminar aquilo que chamamos de ano 2016 d. C. e adentrar o recém-chegado 2017, com suas promessas e mistérios. Vou mentir não, comecei o ano cheia de atividades relacionadas à limpeza, organização, iniciativas, esperanças.

Mas 2017 não nos deu nem colher de chá pra esperar uns dias, e chegou na voadora logo no Réveillon. E nos dias seguintes.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo enquanto existem pessoas sendo massacradas por guerras.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando o machismo mata duas famílias quase inteiras.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando cães surtam, se ferem e morrem com fogos.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando um bebê é morto atingido por fogos.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando uma mulher é assassinada claramente por ódio (e possivelmente homofobia) e todos acham que foi uma simples reação à assalto.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando estamos em meio à uma crise – em todas as categorias – no país devido a um governo golpista e corrupto até a última célula.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando esse mesmo governo esfrega na cara de todo mundo o quanto rouba de todos, e ninguém faz nada.

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo enquanto nos vemos jogar nosso planeta no lixo e condenar nossas próprias vidas (sim, as nossas. Não é mais a de gerações futuras).

Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando percebemos que a esmagadora maioria das pessoas é ou tá se tornando um analfabeto funcional e que se acha o dono da verdade e da razão.

E, principalmente, Não dá pra dizer Feliz Ano Novo quando se percebe que todo o lodo que veio à tona ano passado nada mais é que a natureza sombria da humanidade sendo estimulada. Porque isso não é algo que se resolve facilmente. Não é algo que uma simples reflexão cura. É algo que vai ser ainda muito remexido dentro de nós e vazar pra nossa realidade por muitos anos.

(…)

Tenho em mente variadas perspectivas e explicações pro que estamos vivendo atualmente – seja no Brasil ou no mundo. Algumas mais realistas, outras mais abstratas, mas todas com um quê espiritual e psicológico. Algumas otimistas, muitas pessimistas. Mas todas concordam em um aspecto:

Estamos vivendo um limbo. Um processo de transformação. Uma encruzilhada entre várias realidades possíveis.

Se o potencial que vai surgir vai ser positivo ou negativo, isso já é outra história.

Estamos vivendo um final de ciclo. E, como tal, há pressão por mudanças, decadência de estruturas obsoletas, luta por um futuro melhor e medo do que virá.

O problema é que todo esse conflito generalizado que vivemos se baseia na briga entre dois grupos – genericamente falando, claro, porque a putaria política do Brasil só mostrou que esses dois “grupos” estão mais pra uma massa farinhenta cheia de bolotas que não sabe se comunicar, unir, dissolver, ou decidir pra que lado vai.

De um lado, pessoas de saco cheio com o marasmo do mundo, com as injustiças da vida, clamando pelos direitos de todos e qualidade de vida. Pessoas que querem um futuro bom para todos, que buscam por alternativas e perspectivas que irão nos levar para o universo e além.

De outro, pessoas com medo da mudança. Medo de que a situação piore – por mais que a atual seja uma tortura. Medo de sair do que já se conhece e se atirar no desconhecido, mesmo que isso represente uma melhora. Medo de perder seu lugar no trono. Medo de perder seu status, seus servos, seus baba-ovos. Medo de enfrentar sua vida vazia. Medo de enfrentar seus medos, suas fraquezas, seus defeitos.

E por medo do futuro, olham pro passado. Olham pro que já foi feito, pro que se conhece, é familiar. E tentam nos manter no mesmo marasmo ou então nos levar para épocas passadas.

O potencial de termos uma “Idade Média, O Retorno” é real.

E, por mais que eu seja alguém que não gosta de conflitos e queria apenas a paz mundial e uma vida tranquila, confesso que a época que vivemos não é pra isso. Um discurso pacífico, infelizmente, não está funcionando. Temos que gritar pra nos fazermos ouvir.

Porque, neste momento, o erro dos outros levará a todos para a ruína.

Extinção, Inferno, Mad Max, como preferir chamar.

E eu não to muito afim de ser arrastada para o Abismo por conta de ignorantes egoicos.

No momento em que muitos clamam por Deus, Jesus, um Messias, os Cavaleiros do Apocalipse ou mesmo um meteoro, eu chamo por Sekhmet. Kali. Babalon. Ereshkigal.

Dê-las uma taça de vinho, e elas saberão o que fazer.

A chama, a sede e a lâmina delas não só é bem-vinda, como necessária!

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Arte de François Baranger

Om Namastê / Om Kali Ma!

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Sobre Siluriana

Sou um de muitos alter-egos, procurando alguma organização interna. :)
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